Dolár Comercial : --
Boi Gordo (B3) : --
IBOVESPA : --
Milho (CBOT) : --
Soja (CBOT) : --
Milho (B3) : --
Algodão (NY) : --

Mercados na Ásia: Mudança de agenda. Os programas de milho e soja

Por: Eduardo Vanin
Artigo, Grãos
Publicado em: 06/11/2026 07:49

Icone Icone Icone Icone
  • SOJA (CBOT) +0,25 @ 1188,25 cents/bushel
  • ÓLEO DE SOJA (CBOT) -0,34 @ 61,91 cents/lp
  • FARELO DE SOJA (CBOT) +2,65 @ 319,85 $/st
  • MILHO (CBOT) +0,50 @ 440,50 cents/bushel
  • FARELO (Dalian) -1,19% @ 3079 CNY/t
  • ÓLEO DE SOJA (Dalian) -1,13% @ 8691 CNY/t
  • MILHO (Dalian) -0,22% @ 2227 CNY/t
  • ALGODÃO (NYBOT) -0,27 @ 78,45 ¢/lb
  • MILHO (Esalq) +0,13 @ 66,60 R$/sc

Destaques:

- Mudança da agenda global

- Programa americano de milho e soja

- Milho argentino

A semana está terminando muito negativa. Muitos já falam em mudança de regime depois da varrida democrata. Ontem o Nasdaq caiu 5,5% e entrou oficialmente em correção, 11,9% abaixo da máxima de outubro. O Nasdaq 100 caiu 6,4%, o S&P 500 perdeu 4,35% — pior dia desde o choque das tarifas recíprocas em abril do ano passado — e o índice de semicondutores da Filadélfia desabou 12,2%. O VIX subiu 69%; passou de 28. Não é apenas uma realização. Foi uma reprecificação do custo e da velocidade do boom da IA. O mercado passou a precificar a possibilidade de restrições ao crescimento dos data centers — licenciamento, eletricidade, água e custos de construção. Alguns falam que não será o fim, mas uma desaceleração controlada do investimento. O UBS falou que aproximadamente 30% da capacidade americana planejada para 2028 pode estar em risco.

O mercado correu para os títulos. As taxas de juros longas caíram nos EUA, Europa e Japão. A varrida democrata trouxe de uma só vez a possibilidade de paz no Oriente Médio e também restrições ao boom da IA. O movimento combina três teses: menor impulso fiscal devido ao governo dividido, redução da pressão do petróleo sobre a inflação e menor necessidade imediata de capital para financiar a expansão dos data centers – o Tesouro dos EUA vinha disputando dinheiro com as empresas. Fora isso, a China confirmou que está falando com Putin e com Trump – possibilidade de encontros durante a APEC nos dias 18 e 19. A tese de inflação global murchou.

De fato o mercado está precificando uma série de mudanças, ou possibilidades: petróleo mais barato e maior oferta de diesel; menor demanda por toda a parafernália que envolve a construção dos mega data centers – aço, cimento, eletrificação, etc; menor disputa de capital e volta ao normal do suprimento de grãos no Mar Negro.

A Rússia autorizou temporariamente a saída de navios carregados no Mar de Azov, com permissões até 15 de novembro, com escolta naval. Pelo menos um navio conseguiu atravessar Kerch. Isso reduz o risco logístico, mas está muito longe de uma normalização. Não há confirmação de um fluxo regular de entrada de navios. Rússia e Ucrânia continuam se matando. Rodada de conversas está prevista apenas para 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi. Não preciso dizer que grande parte disso é muito mais complexo e lento do que precificar mudanças. Zelensky falou nessa semana aos líderes europeus. Foi bem claro nas suas intenções de ingressar na Otan. No Oriente Médio, os EUA podem chegar a um acordo com o Irã e abertura do estreito, mas as relações entre os países Árabes e o Irã nunca esteve tão ruim. Rússia continua vendendo armas e inteligência para o Irã, e o Irã continua financiando os Houthis, o hezbollah e o Hamas. No fim, o que temos é uma super derrota dos partidos do Trump e do Natanyahu, e uma guinada à esquerda. Uma guinada contra os governos, contra o custo de vida, contra a guerra e contra a transferência dos custos da IA para as pessoas. É uma mudança de agenda.

Falando do nosso mercado, Chicago vai fechar mais uma semana em queda: soja -45 c/b, 4ª semana seguida e 5 semanas em queda em 6. Milho -6 c, 6ª semana seguida e 8 semanas em queda em 9 semanas. Trigo -11, 10ª semana seguida. O trigo na Matif vai fechar com queda de 20 c/b, 3ª semana seguida e o milho 40 c/b de queda, 3ª semana seguida de queda.

O óleo de soja na CBOT continua caindo. Fora a queda de ~$12/b do petróleo, a EPA adiou mais uma vez a decisão sobre a realocação das isenções das pequenas refinarias. A soja continua pesada com mercado falando em revisão para cima na produtividade – estimativas de alta de 1 a 2 b/a. Quanto o USDA vai elevar a produção e quanto de espaço ainda tem para revisar para cima o processamento nos EUA e as exportações?

As vendas semanais de soja nos EUA vieram em 1,46 Mi t net, queda de 44% em relação à anterior. Alguns falam que isso foi baixista. O fato é que as semanas anteriores foram muito fortes, quando as estatais compraram 76 barcos. Na semana passada o número caiu para 8-10. Não há nada de anormal nessa queda. O que mudou foi a logística americana já tomada no dezembro e janeiro, principalmente no PNW. De forma geral, a janela mais descoberta para a China é o Dez e Jan, principalmente para as processadoras comerciais. Se as tradings nos EUA quiserem vender a janela Fev-Mar no Golfo e Mar-Abr no PNW, vai ser mais lento. Não é essa janela que as estatais teriam interesse nesse momento. Mas isso não quer dizer que a China não vai cumprir com o compromisso. Essa semana falam em 8-10 barcos. Não consegui confirmação. Quem está comprando é a Cofco e não a Sino. As compras da Cofco têm sido bem mais low profile.

Os embarques nos EUA continuam muito fortes. Na semana passada 2,53 Mi t, incluindo 1,59 Mi t para China. O programa americano continua sendo executado em um bom ritmo, mas a velocidade de entrada de novas vendas caiu. Para Dalian, a velocidade dos embarques é crucial – quanto mais rápido, mas negativo para os spreads do farelo. O pipeline de soja para China está bem maior que nos últimos anos, mas o mix é bem diferente. Minha estimativa de chegada de soja na China para 30 dias está em 11 Mi t, 3,7 Mi t acima do ano passado. O mix está assim: Arg 1,1 Mi t, Brz 4,5 Mi t, USG 2,8 Mi t e PNW 2,6 Mi t – 50% de soja US. No ano passado estava assim: Arg 1,15 Mi t, Brz 6,2 Mi t e US zero. Os fundos estão saindo do long no janeiro na DCE. Estavam comprados em mais de 150 mil contratos. Hoje começaram a sair.

No milho o programa está bem abaixo da projeção do USDA. O PNW perdeu muita demanda na Ásia nos embarques outubro, novembro e dezembro para a América do Sul. O ritmo está 34% abaixo do ano passado. O programa precisa ganhar velocidade para atingir a projeção anual do USDA de queda de apenas 4%. O Brasil continua vendendo dezembro, e precisa vender janeiro. O PNW vai ter uma janela de venda de janeiro a março/abril. Para as janelas de abril a agosto a Argentina deve voltar a pressionar.

O plantio do milho está em 50,5% da área projetada de 8,4 Mi de hectares – redução de 660 mil. A 1ª campanha praticamente concluída. O plantio do milho 1ª campanha foi muito rápido, o que é bom. Esse é o melhor milho da Argentina, plantado em outubro e colhido em março. Umidade boa no solo e plantio cedo; alto potencial. Falam que o produtor vai reduzir a área do 2º milho. Infestação de cigarrinha. Anos de EL durante o verão costumam ser muito quente no Norte da Argentina – o problema com cigarrinha aumenta. O NOAA fala em 83% de chance de forte EL entre dezembro e fevereiro. O plantio mais cedo do milho 1ª campanha não significa necessariamente aumento da produção total, mas aumenta a disponibilidade no começo da temporada. Antecipação de 5 pps de área plantada mais cedo representa 420 mil hectares, ou 3,4 Mi t (produtividade de 8 t/ha). Não é produção adicional, mas é uma antecipação do calendário. Isso poderá aumentar a competição com o milho do Golgo no MENA e com o PNW na Ásia.

O risco ainda é o período crítico de dezembro e janeiro. Novamente, anos de transição de EL para neutralidade geralmente são ruins para as condições nessa janela.


Não há comentários para exibir