Áudio com informações da abertura do dia no Agronegócio
Confira o movimento das bolsas e do dólar no mercado internacional, e no Brasil (às 08h30 de Brasília).
Bom dia. Os mercados globais iniciam a semana em recuperação, favorecidos pelo recuo do petróleo e por um movimento de recomposição de posições após duas semanas de perdas, especialmente no setor de tecnologia. O alívio, porém, ainda parece frágil. O Brent recua para abaixo de US$ 115, diante da expectativa de novas negociações regionais envolvendo o Irã, mas a retórica de Trump mantém elevado o risco de uma nova escalada no Oriente Médio.
A semana será decisiva para o setor de inteligência artificial, com balanços das principais empresas de tecnologia e semicondutores. Mais do que os resultados, o mercado buscará sinais sobre a sustentabilidade dos investimentos em infraestrutura de IA, após a forte correção recente. No campo monetário, Fed, BCE e Banco do Japão anunciam suas decisões de juros, em um ambiente de inflação persistente, energia pressionada e custos de financiamento elevados. A combinação limita o espaço para uma postura mais favorável dos bancos centrais.
No Brasil, o foco é a forte reprecificação dos ativos após a reeleição de Lula, contrariando um mercado amplamente posicionado para uma vitória da oposição. As quedas expressivas do EWZ e dos ADRs brasileiros no exterior antecipam uma abertura de forte aversão ao risco, com pressão sobre bolsa, câmbio e juros. Mais do que o resultado eleitoral, o mercado passa a incorporar a perspectiva de continuidade de uma política fiscal pouco disciplinada. O risco é de um ajuste desordenado, com elevada volatilidade e possibilidade de acionamento de mecanismos de interrupção das negociações.
O contraste da manhã é claro: enquanto o exterior tenta recuperar parte das perdas recentes, o Brasil enfrenta um choque doméstico de expectativas, com a política fiscal novamente no centro da formação de preços.