Áudio com informações da abertura do dia no Agronegócio
Destaques:
- China comprando soja no Brasil
- Aperto do balanço para a janela Fev-Abr
- Mais leilões de soja
A China continua comprando soja para a safra nova, mas o interesse é maior para janelas mais curtas que longas. Na semana passada 27 barcos reportados do Brasil, incluindo 4 dezembro e 1 janeiro. O interesse maior nesse momento é a cobertura do crush fev, mar e abril na China, embarques Dezembro e janeiro. As crushers privadas já estão bem cobertas para os embarques FMAMJJ, mas pouco cobertas para DJ – essa semana apenas 1 barco dez reportado até agora – Bunge vendeu no seu terminal em Rio Grande, o que mostra que as crushers comerciais na China estão realmente short. Esse terminal já teve problema de qualidade.
Total de 20 barcos apenas negociados para a janela DJ (~1,35 Mi t), somente Argentina e Brasil. A demanda total projetada é de 9 Mi t para essa janela, incluindo as compras das estatais. Na minha conta, as crushers comerciais na China ainda precisam comprar 3,0-3,5 Mi t para essa janela. Poucos corredores no Brasil ainda estão dando conta para China, com a liquidez concentrada em Paguá, São Francisco e Rio Grande. As nomeações já mostram isso: total de 20 barcos nomeados para novembro, 6 Santos, 1 Aratu e 13 no Sul. A liquidez reduzida se deve ao farmer selling perto de 98-100% no Norte, qualidade e riscos. Em teoria o Brasil tem essa soja. Com farmer selling de 93%, ainda há ~12 Mi t (talvez 8 Mi t padrão exportação). Nossa indústria ainda precisa de 2-3 Mi t e não-China mais 1 Mi t – a indústria precisa comprar um pouco mais que 2-3 Mi t de safra velha para fazer estoque para o mês de janeiro.
Vai ser importante acompanhar a evolução dos estoques das estatais e das crushers comerciais na China. O pipeline de soja para China está bem maior que nos últimos anos, mas o mix é bem diferente. Minha estimativa de chegada de soja na China para 30 dias está em 11 Mi t, 3,7 Mi t acima do ano passado. O mix está assim: Arg 1,1 Mi t, Brz 4,5 Mi t, USG 2,8 Mi t e PNW 2,6 Mi t – 50% de soja US. No ano passado estava assim: Arg 1,15 Mi t, Brz 6,2 Mi t e US zero.
Os estoques de soja nas processadoras caíram de 8,6 Mi t para 7,8 Mi t em quatro semanas – esse estoque inclui crushers comerciais e estatais. Os estoques estão caindo e o crush também. Nessa semana, a média diária do processamento está em 237k t, queda de 10% na comparação semanal, mas ainda acima do ano passado (+3%). Eu diria que esse ano podemos ver algo diferente: Os estoques vão voltar a crescer com a chegada da soja americana, mas o crush total vai cair, isso porque mais da metade é soja das estatais – o crush das estatais é limitado em 30%.
Sazonalmente o crush na China cai em outubro devido aos feriados, mas volta a subir em novembro. Se as comerciais não conseguirem evoluir na cobertura da janela DJ, o processamento em FMA vai ser menor do que a demanda por farelo. O único jeito é mais leilões. Hoje a Sino anunciou mais um leilão de 203k t, sendo ~140k t de lotes novos. Somando os lotes novos de cada leilão, o total vai chegar a 3,5 Mi t. Esse é o total estimado pelo mercado para o 4º trimestre. Ontem falaram em aumento do rigor do sistema de quarentena e alfandega da China, o CIQ. Isso é bem importante para a demanda por leilões e para o SnD de farelo no mercado chinês para a janela FMA. Cenários:
1. Se for apenas uma mudança de regulamento no CIQ, não seria um problema grave, pois as processadoras teriam tempo para entrar com o processo de liberação dos certificados de soja GMO com antecedência. Não haveria impacto na execução dos navios.
2. Se a mudança no CIQ for um instrumento para controlar o ritmo de execução dos navios, tornando o processo de liberação dos certificados mais lento, então criaria uma escassez artificial de curto prazo, como ocorreu no ano passado. O mercado vai ficar atento a novas medidas de controle que podem ser anunciadas nos próximos dias.
Se o cenário 2 se confirmar, é um sinal de mais leilões no 1º trimestre de 2027 – aumento do rodízio de reservas e aumento do crush de soja americana. Eu acredito mais no 2º cenário, uma vez que a concentração de recebimento de soja americana vai ser grande entre novembro e fevereiro. Não seria um “big deal” se as compras fossem distribuídas entre processadoras estatais e comerciais. Esse é o ponto: 100% das compras para as estatais, sendo que sua capacidade de processamento e armazenagem são limitadas.