Áudio com informações da abertura do dia no Agronegócio
Mercado
O milho paulista começa a encontrar um suporte comercial nos preços. As cooperativas interromperam as reduções e, quando tentam remarcar para cima, ainda encontram dificuldade para conseguir o valor desejado. O pequeno e médio comprador, como venho alertando, continua sendo tomador de preço quando precisa abastecer a indústria. Já o grande comprador permanece mais afastado, administrando seus estoques e escolhendo melhor o momento de voltar às compras.
Outro ponto importante é o milho tributado. Nesta semana, as ofertas com origem em Goiás e Minas Gerais também começaram a encontrar maior sustentação, com preços ligeiramente mais firmes. Isso acaba criando um piso comercial para o milho paulista. E reforço: se São Paulo dependesse apenas da sua própria produção, com o dólar mais alto e a menor disponibilidade de ofertas, provavelmente teríamos um mercado bem mais aquecido do que mostram os indicadores atualmente.
Agora, se me perguntarem se o milho pode subir ou cair R$ 2,00 por saca, proponho um exercício: colocar de um lado os fatores que favorecem a alta e, do outro, aqueles que sustentam a queda. Acredito que teríamos praticamente um empate.
Mas existe uma diferença importante nessa conta, que merece atenção: a compra é constante, enquanto a venda é variável. Explico. Uma indústria não pode simplesmente deixar de comprar milho por uma ou duas semanas e correr o risco de faltar ração para aves, suínos ou bovinos. O consumo continua acontecendo. Já a venda depende da necessidade, da estratégia e, principalmente, da disposição do produtor em negociar. Ele pode decidir esperar, enquanto o comprador, em algum momento, obrigatoriamente precisa comprar.
Essa diferença não garante alta, mas ajuda a explicar por que o mercado pode encontrar resistência para continuar caindo, mesmo diante de uma oferta nacional confortável. E é justamente aí que precisamos observar a relação entre disponibilidade de milho e liquidez efetiva.
Lá fora, o petróleo registra queda superior a 5%, Chicago trabalha praticamente de lado e, aqui no Brasil, o dólar continua firme, em meio a muitas dúvidas sobre a condução econômica. São variáveis que seguem interferindo na formação dos preços e impedem uma leitura definitiva.
No geral, o mercado físico paulista começa a mostrar maior estabilidade, mas ainda não temos uma mudança clara de tendência. O comprador grande tem tempo, o pequeno e médio precisam manter o abastecimento e o vendedor começa a avaliar novamente quanto vale esperar.
A questão agora não é apenas quanto milho temos disponível, mas quanto desse milho o produtor está disposto a vender aos preços atuais e por quanto tempo o comprador consegue esperar. É nessa relação que podemos encontrar os próximos movimentos do mercado.
Preços
Preços continuam estáveis....
Campinas (SP): comprador R$ 65,00 | vendedor R$ 67,50
Cooperativas: comprador R$ 60,50 | vendedor R$ 63,00
Milho tributado: comprador R$ 69,00 | vendedor R$ 73,00
04/11 65,89 +0,08
03/11 65,81 +0,02
30/10 65,79 +0,03
29/10 65,76 +0,46
28/10 65,30 -0,06
COMENTÁRIO AGRIVEST
Os futuros do milho na B3 trabalham mistos, com novembro em alta e os vencimentos seguintes em leve queda, acompanhando o recuo do dólar. O farmer selling ainda não ganhou ritmo nesta semana, depois de superar 2 Mi t na semana passada. No mercado físico, há negócios reportados para dezembro a R$ 57/sc no Goiás e R$ 45/sc no Mato Grosso.
Domestic Market: Em Goiás, em Rio Verde, para spot, há apenas bid em R$ 57/sc, sem oferta reportada. Para dezembro, a oferta está em R$ 59/sc e o bid em R$ 57/sc. Preços com PIS/Cofins.
No Tocantins, em Porto Nacional, para spot, a oferta está em R$ 56/sc e o bid em R$ 54,50/sc. Isento de PIS/Cofins.
Em São Paulo, todos os valores são CIF. Em Campinas, para novembro, a oferta está em R$ 71/sc e o bid em R$ 66,50/sc. Em Boituva, para novembro, a oferta está em R$ 71/sc e o bid em R$ 68/sc. Em Jaci, para novembro, a oferta está em R$ 68/sc e o bid em R$ 65/sc.
Programa de Exportação Brasil: O mês de outubro fechou com 5,6 milhões de toneladas exportadas de milho, com o Egito liderando as compras (775 mil t) e Irã (629 mil t). Há programado para embarque neste mês de novembro 5,3 mi. t. e 254 mil t. em dezembro. No acumulado de 2026, o comprometido (embarcado + nomeado) soma 30,5 milhões de t (-4,4 milhões t vs. mesmo período do ano passado).
Exportação DDG: O mês de outubro fechou com 48,4 mil toneladas exportadas, onde o comprador foi a Turquia. No acumulado de 2026, o volume comprometido permanece em 916,3 mil t, cerca de 214 mil t acima do mesmo período do ano passado.
Northern Logistics: Rio Madeira, em Porto Velho, está em 5,02 m (15 dias atrás: 3,97 m; há um mês: 2,76 m; há um ano: 5,98 m. Rio Tapajós, em Itaituba, está em 1,76 m (15 dias atrás: 1,83 m; há um mês: 2,11 m; há um ano: 2,95 m).
Waiting time (03/11): Em Barcarena, o waiting time está em 3 dias, Paranaguá 14 dias (-1 em relação ao dia anterior), Rio Grande zerado (-3), Santos 5 dias, Itacoatiara 2 dias (+2), Santarém 5 dias (+2), Imbituba zerado (-2), e Itaqui 4 dias (-4).
Logistics - Domestic Freight: Os fretes rodoviários essa semana apresentam mudanças pontuais, com destaque para a alta de R$ 15/t (+7,5 c/bu) nas rotas de Mato Grosso do Sul para Santos. Em Mato Grosso, houve quedas pontuais de R$ 5/t (-2,5 c/bu), enquanto Paranaguá registrou pequenas altas de R$ 5/t (+2,5 c/bu) em Cascavel e Pato Branco. Barcarena e Itaqui ficaram estáveis.
Programa de Exportação - Argentina: Na Argentina, o mês de outubro fechou com 3,7 milhões de toneladas exportadas, com o Vietnã comprando 932 mil t. e Coreia do Sul com 404 mil t, além de outros mercados compradores. Há programado para embarque pouco mais de 2 milhões de toneladas. No acumulado de 2026, o comprometido (embarcado + nomeado) soma próximo de 34,6 milhões de t (+7 milhões t vs. mesmo período do ano passado).