Áudio com informações da abertura do dia no Agronegócio
Na noite desta quarta-feira (04/11), o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, iniciada em março de 2026. Desde então, a taxa recuou de 15,00% para 13,75%. Entretanto, a deterioração do cenário macroeconômico após as eleições, com forte desvalorização do real, aumento dos prêmios de risco e incertezas sobre a condução da política fiscal, reduziu o espaço para a continuidade da flexibilização monetária.
O Boletim Focus divulgado ontem (03/11) já havia reforçado essa preocupação. A projeção de inflação para 2027 saltou de 4,34% para 4,76%, ultrapassando o teto da meta de 4,50%, enquanto a estimativa para 2028 avançou de 3,75% para 4,00%. Para 2027, o dólar foi revisado de R$ 5,15 para R$ 5,40, a Selic de 11,75% para 12,50% e o crescimento esperado do PIB recuou de 1,31% para 1,20%. O mercado passou a projetar menos crescimento, com inflação e juros mais elevados.
O comunicado do Copom trouxe um tom cauteloso e restritivo, destacando a desancoragem das expectativas de inflação, os riscos assimétricos de alta para os preços e os impactos da política fiscal sobre os ativos financeiros. O Banco Central evitou antecipar os próximos passos e reforçou a necessidade de manter a política monetária suficientemente restritiva para assegurar a convergência da inflação à meta de 3%. Sem melhora consistente das expectativas fiscais e estabilização cambial, cresce o risco de manutenção dos juros elevados por mais tempo, mesmo diante da desaceleração da atividade econômica.
