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Opinião: Biomassa, um grande gargalo do etanol de milho no MT

Por: Pedro Peruchi
Artigo, Derivados
Publicado em: 16/04/2026 11:09

O DESCASAMENTO ENTRE A EXPANSÃO DO ETANOL E O CICLO DA BIOMASSA

A expansão do etanol de milho no Mato Grosso revelou um gargalo pouco discutido, a disponibilidade de biomassa barata e de origem renovável. Diferente do milho, cuja oferta cresce com produtividade e área a cada safra, a biomassa depende de ciclos longos. O eucalipto, principal fonte, leva em média de 6 a 7 anos até o corte, exigindo investimento antecipado e planejamento logístico.

O resultado é de que a oferta de biomassa sustentável não acompanha a demanda e o preço sobe. Neste contexto, a procura por alternativas mais baratas aumenta, mesmo que isso implique riscos ambientais e regulatórios.

Entre 2021 e 2024, o consumo de biomassa no MT mais que dobrou. No entanto, a área plantada com eucalipto não acompanhou esse crescimento, pelo contrário, houve uma redução de 3,5% na área plantada.

Essa redução da área ocorre no mesmo período em que houve uma forte valorização da saca de soja, o que sugere uma mudança de uso da terra, com migração de áreas de eucalipto para a produção de grãos.

O problema é que novas usinas precisam assegurar previamente o fornecimento de biomassa, com pelo menos 5 anos de antecedência ao início das operações, enquanto a construção da estrutura de uma usina leva, em média, dois anos, somando cerca de 7 anos até o primeiro corte do eucalipto.

As projeções reforçam o descompasso. Hoje, Mato Grosso possui cerca de 211 mil hectares de eucalipto, enquanto a demanda atual exigiria aproximadamente 198 mil hectares. O ponto de atenção, é que para 2030/31, essa necessidade pode alcançar 436 mil hectares.

No cenário presente já há um gargalo na oferta com os novos projetos começando as atividades, e, no futuro, o déficit tende a se ampliar de forma significativa. Isso cria um incentivo econômico direto para a busca de fontes alternativas, independentemente da qualidade ou da origem.

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