Soja na máxima de quase 2 meses
O Banco Central do Brasil divulgou há pouco o relatório semanal do Boletim Focus, que trouxe as projeções atualizadas até o dia 29 de dezembro do ano passado das principais instituições financeiras do país para os indicadores macroeconômicos mais relevantes.
As estimativas para 2024 sofreram alterações apenas para o IPCA. As expectativas para PIB, a taxa cambial e a taxa Selic para o final de 2024 foram mantidas inalteradas.
O destaque do relatório ficou para a queda marginal na estimativa do IPCA desse ano, que recuou de 3,91% para 3,90%. Diante dessa projeção, a expectativa inflacionária para 2024 segue ancorada abaixo do teto da meta que é de 4,50% para esse ano, mas acima do centro da meta que é de 3,00%.
Apesar de estar distante do centro da meta, sinaliza uma desaceleração da inflação esse ano em comparação com 2023, que deverá fechar na casa de 4,50%. Ademais, se a projeção estiver certa, será a menor inflação anual registrada no Brasil desde 2018 quando foi de 3,75%.
E com a expectativa inflacionária abaixo do teto da meta, o mercado espera a continuidade do ciclo de queda da taxa Selic ao longo de 2024. Atualmente em 11,75%, os analistas projetam a taxa de juros no país ao fim desse ano em 9,00%, portanto, estimativa de corte de 2,75 ponto percentual durante 2024.
Para o PIB de 2024 o mercado projeta um crescimento de 1,52%, abaixo do 2,92% esperado para 2023. A expectativa de desaceleração seria por conta ainda dos efeitos da taxa de juros elevada ao longo de 2023. Vale lembrar que a política monetária no Brasil leva quase 6 meses para começar a impactar a economia real. Ou seja, o ciclo de queda no fim de 2023 só vai ter efeito no segundo semestre desse ano.
Ademais, a piora do desempenho do setor agropecuário diante dos problemas climáticos na safra verão é outro fator de desaceleração para o PIB desse ano.
Com relação a taxa cambial, o mercado espera o dólar comercial encerrando 2024 cotado a R$ 5,00, ou seja, uma valorização em relação a 2023 que encerrou cotado a R$ 4,85. Porém, vale lembrar que os analistas também aguardavam uma valorização do dólar em 2023, o que não ocorreu. A moeda norte-americana acumulou forte queda de 8% no ano passado, maior desvalorização desde 2016 (-17,5%).
A balança comercial no Brasil deverá seguir bastante superavitária em 2024 e a taxa de juros competitiva, podendo levar a nova onda de depreciação da moeda norte-americana em nosso país. Ademais, com os EUA iniciando um ciclo de queda de juros em meados do primeiro semestre desse ano, o dólar tende também a se depreciar no exterior.
ABAIXO A EVOLUÇÃO DAS ESTIMATIVAS AO LONGO DOS ÚLTIMOS 6 MESES



