Rápido comentário sobre o mercado brasileiro de milho
Dinheiro novo entrando nas commodities nas últimas semanas. Mercado começa a precificar um Bull Market. São vários os fundamentos hoje para essa tese, além da atuação do Fed tentando controlar a curva de juros - a leitura é que isso reduz da necessidade de subir juros, o que então limitaria seu efeito sobre a inflação e sobre o Bull Market.
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BULL MARKET
Alguns argumentos para a alta das commodities:
- Soja Brasileira cara mais cedo do que o esperado. Super El Niño à frente
- Incêndios na Indonésia e redução de chuvas na Malásia e Índia
- O mercado começou a precificar a logística do Black Sea. Essa é uma situação realmente altista se não resolvida logo
- Trigo caro não destrói demanda por pão - na verdade acelera as compras (risco de revoltas)
- Trigo caro destrói demanda por trigo feed e cevada feed para ração - altista para o milho
- Crescimento do crush nos EUA. Decisão da EPA altista. O estoque de RINs vai seguir apertado
- Mercado Europeu se preparando para o EUDR - altista para o farelo. EU começou a comprar mais farelo dos EUA do que o normal
- Brasil e Índia produzindo menos açúcar e mais etanol
- Redução de produtividade de milho nos EUA. Milho americano precisa continuar caro. A demanda externa precisa buscar outras origens
A maior alavanca de um Bull Market para os grãos é o trigo. Se a situação da logística no BS não se resolver logo, o trigo pode buscar 4 dígitos. Em um cenário como esse, a precificação muda e a função dos grãos também - as curvas de preço precisam inverter e o preço precisa "matar" a demanda. As commodities deixam de ser apenas alimento e passam a ser instrumento de proteção contra a inflação.
Um Bull Market geralmente se "mata" com alta de juros no curto prazo - o que parece que não vai acontecer no ritmo que assustaria o mercado - e aumento de área no longo prazo.