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O Relatório FOCUS, com dados coletados até o dia 21 de agosto, demonstra um panorama de expectativas do mercado financeiro para as principais variáveis macroeconômicas brasileiras.

Inflação – IPCA
A projeção para o IPCA permaneceu em 5,02% para 2026, sem alteração pela segunda semana seguida. O número mantém a expectativa de uma inflação ainda acima do teto da meta (4,5%), indicando a necessidade de manutenção de uma política monetária bastante restritiva.
Apesar da estabilidade na expectativa, a projeção atual está 0,10 ponto percentual abaixo daquela observada há quatro semanas, refletindo a desaceleração do resultado do IPCA de julho.
PIB
Refletindo o resultado abaixo do esperado para o IBC-Br de junho, os analistas revisaram para baixo suas expectativas com relação ao crescimento do PIB do Brasil em 2026, recuando de 1,98% para 1,95%.
O indicador que serve como uma proxy para o PIB registrou queda mensal de 0,6% no sexto mês do ano, ante projeção de -0,5%.
Taxa de juros muito elevada, encarecendo o crédito e inviabilizando o investimento no setor produtivo, aliado ao alto nível de endividamento das famílias, já mostra sinais de uma economia mais fraca para este segundo semestre e sugerindo a necessidade de redução da projeção do PIB.
Câmbio
A projeção para a taxa de câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar ao final de 2026 pela décima semana seguida.
Se por um lado, contas externas saudáveis e taxa de juros real bastante atrativa dão suporte a moeda brasileira, na outra ponta a situação de deterioração fiscal do Brasil e eleições sugerem um dólar mais alto que o visto atualmente.
Nesta briga de forças, o mercado entende que o dólar tem pouco espaço para mudanças bruscas na cotação atual, encontrando seu equilíbrio na faixa de R$ 5,20. Porém, as eleições ainda tendem a trazer maior pressão de alta ao dólar nos próximos dois meses.
Selic
A projeção para a taxa Selic em 13,75% ao ano ao final de 2026 foi mantida pela terceira semana seguida.
A melhora na projeção inflacionária nas últimas semanas abriu espaço para que o Copom possa realizar mais um corte de juros na decisão de setembro. Porém, a tendência é a taxa Selic ficar elevada por um longo tempo, principalmente, se as contas públicas seguirem deteriorando.
Conclusão do cenário
O cenário apresentado pelo Boletim Focus desta semana é marcado pela estabilidade das expectativas do mercado para a maioria dos indicadores. Apenas o PIB sofreu uma piora, fruto do resultado abaixo do esperado para o IBC-Br.