PSF: 08_06_2026
O dólar comercial inicia a quinta-feira em alta e já foi cotado acima de R$ 5,15 na máxima do dia. Agora dá uma arrefecida na apreciação, mas segue com ganho consistente.
USDBRL: +0,43% @ 5,1299
A apreciação da moeda norte-americana no Brasil acompanha o movimento global de valorização da divisa dos EUA, refletindo a “Super Quarta”, quando tivemos a decisão de juros na maior economia do mundo e em nosso país.
Na terra do tio Sam, o Fed decidiu manter a taxa de juros entre 3,50% e 3,75%, em linha com o esperado amplamente pelo mercado. Porém, o que incomodou os investidores e traz aversão ao risco na manhã desta quinta-feira foi a revisão das expectativas da autoridade monetária dos EUA para inflação e taxa de juros para este e os próximos anos. Veja na tabela abaixo as mudanças nas projeções.

Como podemos observar, as projeções para inflação para 2026 subiram significativamente, se distanciando da meta de inflação de 2% para o índice núcleo. Diante deste quadro, o Fed deu um “cavalo de pau” na sua expectativa para a taxa de juros terminal ao fim deste ano. Em março projetava um corte de 0,25 p.p. e agora espera um aumento de 0,25 ponto percentual.
As mudanças nas projeções refletem o aumento do custo de vida nos EUA provocado pela guerra no Irã e a disparada no preço do petróleo. Porém, o fim da guerra anunciado nesta semana, já traz pressão baixista ao preço do barril do petróleo e se seguir em baixa poderá mudar novamente a percepção do Fed sobre sua política monetária.
Mas enquanto este arrefecimento do preço do petróleo não é transmitido aos índices inflacionários, o mercado opera com cautela, como observamos na manhã desta quinta-feira, com o dólar em alta consistente ao redor do globo.
O dollar IDX (contra cesta de moedas de países desenvolvidos) opera em alta de 0,59% e volta a ser cotado acima de 100 pontos, enquanto divisas emergentes perdem entre 0,3% e 0,75% neste momento.
A alta global do dólar pressiona para baixo o preço das commodities, com o Índice Bloomberg Commodities recuando 1,2%.
Portanto, a mudança na perspectiva do Fed de uma queda de juros para uma alta até o fim deste ano, traz alta global para o dólar e derruba o preço das commodities.
No Brasil, o Copom cortou em 0,25 p.p. a taxa Selic, conforme amplamente esperado pelo mercado. Agora a taxa de juros em nosso país está em 14,25% ao ano. No comunicado, a autoridade monetária brasileira deixou em aberto seu próximo movimento, mas deu pistas que ainda teremos mais uma queda de 0,25 p.p. na próxima decisão (05/agosto). Porém, pelo tom comunicado (duro com relação a piora das expectativas inflacionárias) em agosto poderá ser o último o corte, levando a taxa terminal em 2026 em 14%. Atualmente, o Boletim Focus projeta Selic encerrando este ano em 13,75%. Como a expectativa da inflçação já está em 5,2% para 2026, bem acima do teto da meta (4,5%), é bem factível que a projeção do Focus para Selic também caminhe para 14% ao fim deste ano.
Com o fim da guerra no Irã, o mercado voltará todas as suas atenções tanto no Brasil quanto nos EUA para os próximos dados de inflação.
Se eles seguirem mostrando pressão inflacionária, teremos pelo menos uma alta de juros na maior economia do mundo e Selic terminal em 14% em 2026. Entretanto, se os dados mostrarem arrefecimento e vierem abaixo do esperado, haverá uma melhora marginal na percepção da política monetária, com o Fed mantendo os juros até o fim do ano e o Copom cortando até 13,75%.
Portanto, muita atenção aos dados inflacionários que serão divulgados ao longo da primeira quinzena de julho, afinal, as expectativas para o rumo da política monetária nos EUA e Brasil serão determinantes para direcionar o dólar no curto prazo. Ademais, no Brasil, a eleição também chamará a atenção do mercado a partir do final de julho, ampliando a volatilidade.
