Soja na máxima de quase 2 meses
Nesta manhã tivemos os dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos. Para os dados brasileiros O IPCA registrou alta de 0,67% em abril, levemente abaixo da expectativa de mercado, de 0,70%. No acumulado em 12 meses, o índice avançou 4,39%, também abaixo da projeção de 4,41%, contudo acima dos 4,14% dos 12 meses imediatamente anteriores. Apesar da desaceleração o índice se aproxima do teto da meta. O resultado indica uma inflação ainda pressionada, mas marginalmente mais comportada do que o esperado.
O grupo Alimentação e bebidas permaneceram em alta em abril, com avanço de 1,34%. Apesar de seguir pressionando o IPCA, o ritmo desacelerou em relação a março, quando o grupo havia subido 1,56%. O impacto sobre o índice geral também recuou, de 0,33 p.p. para 0,29 p.p., embora o segmento siga como o principal ponto da inflação no mês.
A taxa de inflação anual nos EUA acelerou para 3,8% em abril de 2026, o maior nível desde maio de 2023, contra 3,3% em março. O resultado ficou acima da expectativa de mercado, que era de 3,7%, em meio à continuidade das pressões geradas pelo choque do petróleo associado à guerra com o Irã.
Os custos de energia avançaram 17,9% no acumulado anual, marcando a maior alta desde setembro de 2022, frente aos 12,5% observados no mês anterior. O movimento foi puxado principalmente pela gasolina, que acelerou de 18,9% para 28,4%, além do óleo combustível, que registrou alta de 54,3%. A inflação também ganhou força em moradia, passando de 3,0% para 3,3%. Já os alimentos desaceleraram para 2,3%, ante 2,7% no mês anterior.
Na comparação mensal, o CPI avançou 0,6%, em linha com as projeções do mercado, mas desacelerando frente à alta de 0,9% registrada em março, que havia sido o maior avanço mensal desde junho de 2022.
O núcleo da inflação anual também acelerou, passando de 2,6% para 2,8%, acima da expectativa de 2,7%. Na base mensal, o núcleo avançou 0,4%, acima dos 0,2% registrados nos meses anteriores e da projeção de 0,3%.
Os dados reforçam a percepção de que a inflação nos Estados Unidos segue em alta, principalmente nos componentes do núcleo. Com isso, o mercado tende a reduzir as apostas em cortes de juros no curto prazo, diante da necessidade de manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo.
O dólar opera com leve alta no Brasil nesta manhã, em um movimento ainda limitado pela resistência do real frente ao avanço da moeda norte-americana no exterior. O IDX trabalha em alta contra moedas de países desenvolvidos. Do lado das bolsas, os principais índices operam em campo negativo, enquanto os bonds nos EUA registram ganhos. A atenção também fica para os yields dos Treasuries de 30 anos, que voltaram a ultrapassar a marca de 5%. Caso fechem acima desse patamar, o movimento pode reforçar a cautela dos mercados, pressionando ativos de risco e mantendo o dólar sustentado no curto prazo.