A crise financeira na sojicultura parece não ter fim
Macro: Dólar inicia a semana estável próximo de R$ 4,98, refletindo equilíbrio entre fatores externos e domésticos. Tensões entre EUA e Irã elevam a aversão ao risco e dão suporte à moeda americana. No Brasil, o Focus indica inflação e Selic mais altas, reforçando juros elevados por mais tempo. Por outro lado, o diferencial de juros segue atraindo capital estrangeiro e sustentando o real. Esse fluxo limita uma depreciação mais forte do câmbio.
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Análise gráfica: dólar resiste e mantém estabilidade em meio ao prêmio de risco
CBOT
Soja: A soja opera estável em Chicago, se equilibrando entre o suporte do óleo e pressão do farelo. O mercado aguarda dados de plantio do USDA e monitora o clima no Meio-Oeste. Na China, os estoques de soja nos portos bateram recordes no ano passado – crescimento do programa de esmagamento e crescimento das compras no Brasil. Esse ano os estoques estão em 5,9 Mi t, 1,5 Mi t maior que no ano passado. O programa brasileiro de exportação está 4 Mi t à frente do ano passado, mas as compras da China estão 2 Mi t menor. As margens na China continuam ruins. Estoques grandes nos portos e nas fábricas na China não ajudarão a mudar o cenário. Os exportadores no Brasil terão que continuar buscando novos mercados.
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Agrochina: Estoques de soja na China podem bater novos recordes esse ano
Análise gráfica: Soja segue lateral. O mercado espera o rompimento para definir direção.
Milho: O milho atua praticamente estável na CBOT, segundo o movimento da soja. No Brasil, a safrinha 2026 entra em fase crítica com atraso no plantio, cerca de 33% do milho foi plantado fora da janela ideal, contra 23% do ano passado. Estados como MS, GO, SP e PR, mantém aumento sobre o risco agroclimático nas janelas mais críticas da cultura. O clima agora começa a preocupar: temperaturas entre 30 e 32 graus e previsão de chuvas mais irregulares nos próximos 15 dias. Hoje, 54% das lavouras estão em vegetativo, 36% em floração e 7% em enchimento de grãos, com maior risco concentrado no Centro-Sul.
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Trigo: No trigo, há sustentação vinda de dois fatores: clima adverso nos EUA e o risco geopolítico. O bloqueio de Ormuz adiciona preocupação com custos de fertilizantes e energia, podendo afetar a produção global de grãos. Mesmo assim, há limites para a alta. A valorização do trigo já começa a reduzir a competitividade das exportações americanas e além disso, a oferta global segue ampla, especialmente com a Rússia dando início a sua colheita em breve. Há ainda a previsão de chuvas em regiões das planícies dos EUA para os próximos dias.
B3
Milho: O milho tem forte alta nesta 2ª-feira na B3, sustentado pelo cenário externo, especialmente a alta do petróleo e, por preocupações com o clima para a safrinha 2026. Por outro lado, no físico o mercado segue vazio de acontecimentos: o que temos é apenas o ajuste natural de um volume maior de oferta com uma demanda mais retraída do que justificaria o nível atual de preços. A liquidez continua curta e o comprador segue seletivo.
Clima: Os próximos 10 a 12 dias terão chuvas escassas no Centro-Sul, com apenas pancadas isoladas. A falta de umidade preocupa áreas como GO, MG, MS e interior de SP, sobretudo para lavouras tardias. Na virada do mês, os modelos indicam retorno das chuvas, ganhando força na primeira quinzena de maio. Esse movimento pode favorecer o desenvolvimento da safrinha com melhor distribuição hídrica. No curto prazo, temperaturas elevadas somam-se ao cenário seco e aumentam o risco de estresse hídrico.
