Áudio com informações do abertura do dia no agronegócio
Confira o movimento das bolsas e do dólar no mercado internacional, e no Brasil (às 08h30 de Brasília).
Mercados globais começam o dia em modo mais defensivo, com ações e títulos ampliando perdas diante da escalada no Oriente Médio. O Irã respondeu ao ultimato de Donald Trump com novos ataques no Golfo Pérsico, elevando o prêmio de risco e trazendo mais volatilidade para os ativos.
Os futuros do S&P 500 recuam cerca de 1%, enquanto bolsas na Europa e Ásia caminham para território de correção. No câmbio, o dólar ganha força e atinge máxima em três meses. Entre as commodities, o petróleo segue como principal driver: o Brent avança e opera acima de US$113 por barril, com o prazo para reabertura do Estreito de Ormuz se aproximando. Em contrapartida, metais preciosos recuam, com o ouro acumulando queda superior a 5% no ano.
Na renda fixa, o movimento é de abertura relevante das taxas, refletindo o temor de que o petróleo elevado reacenda pressões inflacionárias. A ponta curta lidera: o Treasury de 2 anos volta acima de 4%, enquanto no Reino Unido o mercado já precifica até quatro altas de juros pelo Banco da Inglaterra neste ano.
No cenário geopolítico, o conflito entra na quarta semana sem sinais de alívio. Há relatos de possível envio de tropas terrestres americanas ao Irã, enquanto a Guarda Revolucionária ameaça fechar completamente o Estreito de Ormuz em caso de ataques a instalações energéticas, um risco direto para a oferta global de petróleo.
No Brasil, o ambiente externo mais pressionado começa a levantar dúvidas sobre o cenário de inflação. O avanço do petróleo e o aumento das incertezas globais colocam em xeque se o Banco Central não estaria subestimando os impactos inflacionários à frente.
A semana ganha peso com a divulgação da ata do Copom, do IPCA-15 de março e da coletiva de Gabriel Galípolo sobre o Relatório de Política Monetária. No último encontro, o Copom iniciou o ciclo de flexibilização com um corte mais cauteloso de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,75%, abaixo do esperado por parte do mercado. Também chamou atenção o tom relativamente menos conservador do BC com as projeções de inflação, mesmo com o petróleo em alta.
Em resumo, a geopolítica segue dominando o fluxo global. O petróleo elevado reforça o risco inflacionário, pressiona os juros e reduz o espaço para cortes de taxa, mantendo o ambiente de mercado mais volátil e sensível a novas manchetes