PSF: 09_02_2026
Refletindo o sentimento de aversão ao risco no exterior, o dólar comercial opera com valorização consistente nesta terça-feira. Diante da valorização, a cotação da moeda norte-americana “encosta” no R$ 5,40. Na máxima do dia até o momento, atingiu R$ 5,3980.
Hoje, o valor do dólar norte-americano opera com sinais mistos ao redor do globo. Enquanto ele tem forte depreciação frente as divisas de países desenvolvidos, registra boa valorização frente a divisas de países emergentes.
Enquanto o dollar IDX (contra cesta de moedas de países desenvolvidos) registra forte queda de 0,96% e é cotado a 98,25 pontos (mais baixa em duas semanas), o dólar sobe 0,4% frente a divisas de países emergentes, como Peso Mexicano, Rand da África do Sul e Peso Chileno.
A escalada das tensões entre EUA e Europa por conta da Groelândia, leva os investidores a buscarem proteção em ativos seguros, como moedas de países desenvolvidos, ouro (+3%) e prata (+7,8%).
Em contrapartida, moedas de nações emergentes e o mercado acionário são penalizados, em claro cenário de aversão ao risco. Os índices futuros nos EUA registram agora fortes perdas entre 1,5% e 1,7%, enquanto na Europa caem 1,3%, após recuarem 1,2% na véspera. Vale lembrar, que ontem o mercado financeiro nos EUA esteve fechado por conta de um feriado.
A escalada das tensões entre EUA e a Europa aumentou esse fim de semana, após Trump impor uma tarifa de 10% de imposto sobre importação de países europeus a partir de 01º de fevereiro pelo fato desses países serem contrários a anexação da Groelândia pelos EUA.
E Trump ainda disse que caso não haja avanço nessa negociação, subirá para 25% a tarifa de importação a partir de 01º de junho.
Como resposta, a Europa estuda impor tarifa de importação sobre produtos norte-americanos no montante de € 93 bilhões. E não descarta usar o Instrumento Anticoersão, que é visto por analistas como uma “bazuca comercial”. Esse instrumento, colocaria restrições a empresas americanas de venderem seus produtos e serviços ao Velho Continente.
Apesar do clima de animosidade entre os EUA e Europeus, o mercado ainda espera por um diálogo que possa destravar esse avanço da tensão comercial entre esses dois aliados históricos. Mas enquanto as ameaças permanecerem de ambos os lados, os investidores tendem a adotar posições defensivas (venda de ações, criptomoedas e moedas emergentes e, compras de moedas de países desenvolvidos e metais preciosos).
Caso haja um arrefecimento na tensão, o dólar comercial no Brasil tende a voltar a operar em viés de baixa no curto prazo (3 meses), ancorado pela queda global do dólar, elevadíssima taxa de juros real em nosso país e contas externas saudáveis. O maior desafio para a valorização da moeda brasileira em 2026 ainda tende a ser a eleição presidencial, especialmente, no segundo semestre. O estresse geopolítico tende a impactar o curtíssimo prazo.
