PSF: 24_03_2025
O dólar comercial estende o movimento das duas sessões anteriores e opera com ganhos nessa terça-feira. Diante da alta de hoje, opera nesse momento próximo de R$ 5,80. Na máxima do dia bateu R$ 5,8140.
A apreciação mais forte da moeda norte-americana deu início no meio da tarde de ontem (veja gráfico abaixo), com o noticiário local trazendo de volta à cena o risco fiscal.
Buscando recuperar sua popularidade perdida nas últimas pesquisas, o governo Lula anunciou ontem medidas populistas que terão impactado negativo nas combalidas contas públicas do país.
Em pronunciamento nacional nas redes de rádios e televisão, o presidente Lula anunciou para a partir de hoje o pagamento de R$ 1 mil aos jovens do programa Pé de Meia. Além disso, também foi anunciado 100% de gratuidade a todos os remédios da Farmácia Popular. Essas medidas trarão gastos aos cofres públicos que não estavam programadas no pré-orçamento de 2025.
Para piorar o quadro fiscal, o governo também disse ontem que vai reapresentar ao Congresso uma medida para ampliar significativamente o número de famílias que são atendidas pelo programa Auxílio Gás.
Atualmente, 5,42 milhões de famílias recebem esse auxílio. O Objetivo do governo é aumentar para 20 milhões de famílias. Segundo as contas do TCU (Tribunal de Contas da União), essa medida irá ter um custo estimado aos cofres públicos de R$ 13,6 bilhões. No pré-orçamento desse ano, o dispêndio programado para aumento dessa conta era de apenas R$ 600 milhões.
Ou seja, o governo vai ter que se virar para achar R$ 13 bilhões no orçamento para bancar essa conta, sem prejudicar o resultado primário.
E a outra medida anunciada que também preocupa o mercado é uma possível MP (Medida Provisória) que o governo pretende adotar para liberar FGTS aos trabalhadores demitidos que já aderiram à modalidade de saque-aniversário.
O risco dessa medida é inflacionário, pois estaria “irrigando” ainda mais dinheiro em circulação no país em um momento que as expectativas inflacionárias estão bastante desancoradas em relação a meta. O mercado espera que o IPCA de 2025 fique em 5,65%, contra 4,5% do teto da meta.
Portanto, a volta do risco fiscal diante das medidas fiscais anunciadas ontem e a possibilidade de mais oferta de dinheiro, que trará mais pressão inflacionária, trouxe uma piora considerável para a precificação dos ativos brasileiros desde a tarde de ontem.
Agora, o governo vai ter que mostrar na aprovação do Orçamento de 2025 (deverá será após a semana do Carnaval), que consegue comportar esses aumentos de dispêndios sem impactar negativamente a projeção da meta do resultado primário desse ano.
É a volta do risco fiscal no Brasil promovido pelas ações do governo que voltam a atormentar o mercado.
Por isso, o melhor a fazer é trabalhar sem descasamento cambial para esse ano, pois a volatilidade seguirá elevada. De um lado temos a taxa de juros real bastante elevada (deve chegar a 10% no mês que vem) e as contas externas saudáveis que são baixistas para o dólar. Na outra ponta, o risco fiscal segue firme e forte e pode novamente se contrapor ao fundamento baixista como ocorreu ao longo de 2024.